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por Nestor Capoeira
© 2007

   Os praticantes chamam-no "Jogo", "Jogo de Capoeira".
   Mas não é um jogo do tipo "esporte", pois não existe perdedor nem vencedor, não existem juízes, não existe um tempo pre-determinado para a "partida", nem tampouco regras rígidas apesar da tradição sugerir algumas linhas de ação para a dinâmica do Jogo.
   Isto fica muito claro quando se sabe que no passado, em Salvador no início dos 1900s, a capoeira era carinhosamente chamada de "vadiação" ou "brincadeira" pelos seus praticantes.

"Desenho de Nestor Capoeira baseado em foto do libreto que acompanhava o disco LP de Traíra e Cobrinha Verda (aprox. 1960)"

   Mais do que "um jogo", poderíamos dizer que a a capoeira é uma luta-dança-jogo:
   - luta: possui golpes e quedas que, sem dúvida, poderiam pertencer ao contexto das artes marciais e da auto-defesa;
   - dança: é realizada ao som de instrumentos musicais típicos (berimbau, pandeiro, atabaque, ganzá, agogo) e cantos, além de englobar elementos de dança na sua movimentação;
   - jogo: é uma espécie de diálogo corporal lúdico, era comum um jogador convidar o outro - "vamos brincar?".

   Encontramos, ainda, movimentos acrobáticos no "dialógo corporal" da capoeira. E também algo que poderia ser qualificado como "ritual", apesar do Jogo nada ter a ver com religião.

"Desenho de Nestor Capoeira baseado em foto do libreto que acompanhava o disco LP de Traíra e Cobrinha Verda (aprox. 1960)"

   Os jogadores formam uma "roda" e uma meia dúzia toca os instrumentos musicais - berimbau, pandeiro, atabaque, etc. -, enquanto os demais batem palmas e cantam. Dois jogadores entram na roda... o Jogo começou.

"Desenhos de Carybé, provavelmente baseados em esboços que fez na acdemia de mestre Pastinha, e na roda no barracão de mestre Waldemar no bairro da Liberdade (Salvador, aprox. 1960)

   Este conjunto - o jogo, o histórico, a filosofia, a música, o ritual, e o método de ensino e aprendizado -, assim como a vida e a filosofia dos Grandes Mestres do passado, tem sido abordado e transmitido com diferentes enfoques por estudiosos, simpatizantes, e especialmente pelos mestres de capoeira no contato pessoal com seus alunos e, também, em bate-papos informais e encontros "oficiais" - tradição oral - por muitas décadas.
   Já em 1834 já temos uma descrição e uma gravura - "Jogar capüera ou dance de la guerre"(RUGENDAS, J.M. Voyage pittoresque et historique dans le Brésil. Paris: Engelmann et Cie, Paris, 1834) - do artista alemão Rugendas. E em 1886, um livro - "Os capoeiras" - do escritor (e capoeira) Plácido de Abreu.

 

"Jogar capüera ou danse de la guerre (1835)"

   "Os negros tem ainda um outro folguedo guerreiro muito mais violento, a capoeira: dois campeões se precipitam um sobre o outro procurando dar com a cabeça no peito do adversário que desejam derrubar. Evita-se o ataque com saltos de lado e paradas igualmente hábeis; mas lançando-se um contra o outro mais ou menos como bodes, acontece-lhes chocarem-se fortemente cabeça contra cabeça, o que faz com que a brincadeira não raro degenere em briga e que as facas entrem em jogo ensangüentando-a."

 

   A partir do final dos 1800s, vez por outra aparecia um livro, ou um artigo num jornal até que, no final dos 1900s, a pesquisa sobre a capoeira cresceu - livros, teses de doutorados etc. -, e, hoje, temos muita informação, grande parte completamente desconhecida pelos praticantes.
   Alguns destes livros também estão sendo publicados em outras línguas, em outros países: Holanda, Dinamarca, Polônia, Finlândia, Alemanha, Estados Unidos e França.

 

"O calço ou a rasteira" .Kalixto, 1906.
   Cahi no bahiano rente a poeira, e isquei-lhe um rabo-de raia que o marreco voôu na alegria do tombo, indo amarrotar a tampa do juizo n'uma canastra, e ahi gritei: "Entra negrada! O turuna enfeitou-se outra vez... Oh! cabra cutuba!"

   L.C., muito provavelmente Lima Campos, escreveu um artigo na luxuoso revista Kosmos, Revista Artística, Scientífica e Literária (Rio de Janeiro, nº3, março de 1906). O artigo veio ilustrado com excelentes gravuras de Kalixto (Calixto Cordeiro). Kalixto também escreveu os textos que "dão voz" as gravuras, usando os termos e as gírias da capoeiragem e da malandragem da época."

 

   Nas linhas que seguem, vamos recortar e condensar partes de alguns destes livros para o leitor ter, ao menos, uma versão simplificada (e, por isto mesmo, um tanto falha e estereotipada) da "filsofia" e "história da capoeira".
   Para os que estão fazendo uma pesquisa séria, vamos apresentar, no fim desta página, a tese de doutorado de Nestor Capoeira (PASSOS NETO, Nestor S. dos. "Jogo Corporal e Comunicultura", ECO-UFRJ, 2001), que enfoca a capoeira em profundidade, com amplo apoio da bibliografia existente, e do depoimento de mestres consagrados (muitos já falecidos).

 


por Nestor Capoeira © 2007

Capoeira é tudo que a boca come
(Mestre Pastinha, 1889-1981)

Capoeira é "mardade"
(Mestre Bimba, 1900- 1974)

   A malícia, considerada a filosofia e a essência do jogo, é um dos "fundamentos" básicos da capoeira. A malícia, num sentido amplo, é a maneira como o jogador "vê" e "joga" com a vida, o mundo e, especialmente, as pessoas. Num sentido mais específico, a malícia é o que permite um jogador "enganar" o outro, fingindo que vai fazer algo quando, na verdade, está preparando um outro tipo de ataque.

   Cada mestre, cada jogador, e até cada iniciante, explica a malícia da sua maneira. E isto não é errado: não há como transformar a malícia num conceito fechado, numa "verdade" expressa em palavras; da mesma maneira que é impossível exprimir em palavras "o que é a vida", "o que é a arte", "o que é o amor", a "amizade" ou o "ódio".

   Eu sempre fui um apaixonado pela "filosofia da capoeira" - a malícia - desde que fui iniciado por mestre Leopoldina, em 1965.
   Nos anos seguintes, conheci os mestres Bimba, Pastinha, Noronha, Waldemar, Caiçaras, Canjiquinha, Paulo dos Anjos, Atenilo, Eziquiel, Bom Cabrito - todos já se foram -, e muitos outros. Sempre que podia, conversava e, sobretudo, convivia e observava como se portavam em diferentes situações. Perguntava, também, depois de já ter estabelecido um mínimo de camaradagem:
   - Mas, afinal de contas, mestre, o que o sr. acha que é essa tal de malícia ?
   As respostas eram as mais variadas possíveis, algumas eram poéticas e misteriosas, outras engraçadas, ainda outras eram racionais.
   Com os anos, a observação e a convivência, as experiências pessoais, as respostas e definições dos Velhos Mestres e, principalmente e sobretudo, o Jogo na Roda com pessoas muito diferentes, em diferentes lugares; forjou, dentro do meu corpo, e daí para meu cérebro e para as páginas de papel onde eu escrevia, o que é a malícia - ao menos, como Ela se apresentou para mim.


"Desenho de Nestor Capoeira baseado em fotos dos mestres Caiçaras, Livínia, Waldemar, Cobrinha Verde, Paulo dos Anjos, João Grande, Gato, Canjiquinha, João Pequeno, Maré, Atenilo, e Leopoldina"


   No livro "Capoeira, o pequeno manual do jogador" (1981), eu expliquei que, num sentido mais específico, a malícia é aquilo que permite ao jogador saber o que o outro vai fazer; e, ao mesmo tempo que o engana - fingindo que vai fazer algo, e fazendo um movimento completamente inesperado -, dominando completamente o Jogo.

   No livro "Capoeira, galo já cantou" (1985), dissemos que, do ponto de vista da Capoeira, os seres humanos são mediocres, mesquinhos, limitados, falsos, preconceituosos, invejosos, covardes e crueis. A sociedade na qual vivemos - na visão da Capoeira - também não é melhor: riquezas mal distribuídas, recursos naturais mal utilizados, injustiça social, miséria, guerra e violência; consumismo e controle através da midia, valores falsos e estereotipados.
   Isso fica bem claro quando escutamos algumas músicas clássicas de capoeira:

"Êta mundo velho e grande,
êta mundo enganador.
se canto desta maneira
foi vovô quem me ensinou"

"Iê quer me matar,
iê na falsidade"

"Urubu come folha?
Côro: É conversa fiada!"

   O "urubu", ao qual se refere o canto, não é a ave. O "urubu" somos nós, os seres humanos, que não somos mansos herbívoros - "come folha?" -, mas, sim, terríveis carnívoros.

   A malícia da Capoeira é o conhecimento de todas estas coisas.
   Ou seja, é o "conhecimento da verdadeira natureza do homem" (urubu come folha? ... é conversa fiada). Mas este "conhecimento" deve ser temperado com uma grande dose de "bom humor" (dizemos "bom humor" em falta de um nome melhor).
   Este "bom humor" está representado, na roda de capoeira, pela energia positiva e alto-astral do som que acompanha o Jogo.

 

"Carybé, aproximadamente 1960"

   Como a malícia da capoeira é brasileira, podemos dizer que ela está "vestida" com as "roupas", e as "cores", da cultura afro-brasileira e da cultura-popular-marginal-urbana (leia-se, "malandragem").

Meu camarada,
o capoeira é muito mais
que um lutador que dá pernada.
Ele é um artista,
sua força é a alegria de viver.
Ele conhece a palavra-chave “Amor”
e no entanto o capoeirista sabe:
a maldade existe.
Será que tu ainda não ouviu
o que se anda cantando nas rodas por ai:
Galo já cantou,
já raiou o dia.

(Nestor Capoeira)

   Esta malícia ( conhecimento dos homens + bom humor) permite ao jogador "ver" este cenário vivo, brutal e cruel - o mundo em que vivemos -, sem se tornar deprimido, amargo, agressivo, árido; ou preocupado e "sério" em demasia.

   O "conhecimento da verdadeira natureza do homem" (uma das partes da malícia), incluindo o conhecimento de si próprio, vêm (um pouco mais ou um pouco menos) para todos os jogadores: é consequência direta de jogar com diferentes pessoas (de diferentes personalidades, ideologia, origem social, idade, cor, sexo, etc.), em diferentes rodas, em diferentes lugares.
   Este "conhecimento" não é um "saber racional". Ele não é absorvido, apreendido, e encarnado, através da leitura ou falando sobre ele. É uma espécie de "conhecimento" ou "saber corporal" que adquirimos jogando capoeira (queira ou não queira, o jogador).

   Neste sentido, o "conhecimento dos homens" é diferente do "bom humor" (a outra parte da malícia). Pois o "bom humor" tem que ser alimentado e desenvolvido por iniciativa pessoal de cada jogador.
   O "bom humor" não vem como uma consequência inevitável do Jogo.

   O "bom humor" (dizemos "bom humor" em falta de um nome melhor), ao qual nos referimos, não é aquele que vemos na TV; e também não é o "don't worry, be happy" (não se preocupe, seja feliz) "politicamente correto" em alguns círculos moderninhos americanos.
   O "bom humor" é uma espécie de tesão pela vida.
   Você já viu crianças brincando na beira do mar?
   Elas pulam numa perna só, correm, gritam, fogem das ondas que "se desmancham na areia", e perseguem-nas incançavelmente sem se cançar, pois estão alimentadas por um outro tipo de energia (de difícil acesso aos adultos, exceto, talvez, nas festas, no carnaval, etc.). É este estado de espírito que estamos chamando de "bom humor": a pessoa está totalmente presente e curtindo aquele momento.

   O "conhecimento", sem o apoio do "bom humor", pode se tornar muito "pesado". Pode transformar o jogador numa pessoa incapaz de "curtir" a vida.
   Pois o "conhecimento" traz Poder para o jogador. E o Poder, sem "bom humor", transforma a pessoa em alguém que só se interessa - e é completamente fascinado - pelo Poder e seus jogos. O Poder, com o dinheiro como sua faceta mais vulgar, se torna mais importante que a amizade, o sexo, o amor, a arte e as curtições.
   Isto é algo que acontece com bastante frequência e pode ser observado em muitos mestres e professores. Isto afasta o jogador da curtição da vida, e da essência do Jogo.

   Agora talvez você entenda melhor a canção:

Meu camarada,
o capoeira é muito mais
que um lutador que dá pernada.
Ele é um artista,
sua força é a alegria de viver.
Ele conhece a palavra-chave “Amor”
e no entanto o capoeirista sabe:
a maldade existe.
Será que tu ainda não ouviu
o que se anda cantando nas rodas por ai:
Galo já cantou,
já raiou o dia.

 


por Nestor Capoeira © 2007

   No livro "Capoeira, os fundamentos da malícia" (1992) expliquei que existem varias teorias antagônicas sobre as origens da capoeira, embora todos concordem que foi uma "invenção" dos africanos:

   - Uns dizem que foi criada na Africa e trazida ao Brasil pelos escravos. Outros afirmam que foi uma "invenção" do escravo africano, no Brasil.
   - Uns dizem que a capoeira se desenvolveu nas senzalas das grandes plantações de cana-de-açucar e café. Outros afirmam que floresceu nos quilombos. Ou, ainda, que é um fenômeno urbano e se desenvolveu nas grandes cidades brasileiras (Rio, Salvador e Recife).
   - Uns dizem que a capoeira é muito antiga no Brasil, desde o começo da colonização de nosso país, nos 1500s. Outros afirmam que a capoeira, tal como a conhecemos agora (com roda e berimbau), só começou a rolar a partir do começo dos 1900s, na Bahia.

   Já vai longe o tempo em que todos "pesquisadores" diziam:
   "A capoeira era uma luta que se disfarçou em dança, para escaoar às perseguições dos feitores e senhores-de-engenho".
   Ainda assim, o que se sabe, na verdade, no momento atual, refere-se apenas ao período que começa em 1800. Temos muitas novas informações, hoje em dia, sobre o passado da capoeira. Mas isto não quer dizer que temos "certezas" em tudo. Algumas coisas parecem claras. As vezes confirmam as expectativas e idéias da maioria dos capoeiristas; outras vezes, não.
   Outras coisas, do passado da capoeira, ainda são desconhecidas, e diferentes estudiosos e capoeiristas divulgam teorias muito diversas.

   O que de fato sabemos (e nem aí sabemos tudo), começa com a chegada de D. João VI, o rei de Portugal, ao Brasil em 1808. Pois, a partir daí, os registros dos eventos daquela época começaram a ser feitos com mais cuidado, pelos burocratas da corte de D.João VI. Inclusive os registros policiais, que se revelaram uma grande fonte de informação sobre o que era a capoeira nos 1800s.

 

"Montagem de Nestor Capoeira com detalhes de um desenho de Debret, 'D. João VI' (1824)".

"Montagem de Nestor Capoeira com detalhes de um desenho de Debret, 'A Guarda Real' (1824)"



A capoeira escrava, Rio de Janeiro, 1800-1890

   Em 1808, o rei D. João VI veio para o Brasil - a maior colônia portuguesa, na época -, fugindo de Napoleão Bonaparte que tinha invadido Portugal.
   O Rio de Janeiro que, na época, tinha uns 700.000 habitantes, mais de metade sendo escravos negros. Com a chegada do rei português e sua corte - umas 4.500 pessoas (muita gente!!!), na primeira leva -, muita coisa mudou. A colônia, afastada de tudo, de repente virou o centro do Império Português.
   Começou, também, uma repressão sistematizada à cultura dos escravos, embora a violência e a maldade contra o escravo já existisse desde os 1500s. Para esta nova repressão sistematizada e organizada, D. João VI criou a Guarda Real, e pra comandá-la foi nomeado o temido major Vidigal.

O major Miguel Nunes Vidigal... era um homem alto, gordo, do calibre de um granadeiro (perto de 90 kg.), moleirão, de fala abemolada, mas um capoeira habilidoso de um sangue-frio e de uma agilidade a toda prova, respeitado pelos mais temíveis capangas de sua época. Jogava maravilhosamente o pau, a faca, o murro e a navalha, sendo que nos golpes de cabeça e de pés era um todo inexcedível.
( BARRETO FILHO, Melo e LIMA, Hermeto. História da polícia do Rio de Janeiro 1565-1831. Rio de Janeiro: Ed.S.A. A Noite, 1939. V.1, p.203.)

   Muita gente afirma que a capoeira era, basicamente, a "arma do escravo contra a polícia e o feitor" - a (gloriosa) "luta de libertação"!
   Mas, na verdade, além disto (e talvez mais que isto), a capoeira era a ferramenta usada para um determinado grupo de escravos "dominar" uma certa área (em oposição a outros grupos de escravos); e era também a "arma" usada pelos escravos para resolverem suas divergências pessoais, e estabelecer uma hierarquia dentro do grupo. Não se tem muitas notícias da capoeira, e dos capoeiras, envolvidos com a fuga de escravos para os quilombos; ou de planejarem uma rebelião para derrubarem os "senhores brancos opressores".

   Aos poucos, os capoeiras se organizaram em maltas, compostas inicialmente apenas por escravos africanos "ladinos" (que ja estavam adaptados ao Brasil, em oposição ao escravo "boçal", recém-chegado da Africa). Mas por volta de 1850, as maltas ja tinham absorvidos os creoulos (negros nascidos no Brasil), negros livres, e mulatos (filhos de negra com branco).
   E em 1860, as maltas já tinham absorvido homens de todas as cores e, até, de outras nacionalidades: em 1863, um em cada três capoeiras preso era estrangeiro (a maioria, português). Nas maltas cariocas conviviam não só os negros e a "ralé" das ruas, mas também militares de todas as patentes,marujos estrangeiros que tinham abandonado seus navios, além dos violentos margaridas e cordões (os ricos playboys da aristocracia de então) como o temido Juca Reis, filho de um milionário dono de jornal - O Paiz -, o Conde de Matosinho.

(Juca Reis era uma) bela figura de rapaz forte, estroína e maneiroso, trajando sempre com apurada elegância. José Elísio dos Reis - o Juca Reis como era conhecido -, tinha-se tornado famoso nas vielas do crime, por seus constantes conflitos e violências, fgrequentes espancamentos em mulheres decaídas e pela autoria ou cumplicidade de um assassinato ocorrido em meados de 1888, na rua dos Andradas, junto ao largo de São Francisco de Paula... era um cordão elegante... cuja especialidade era promover conflitos e desordens nos teatros e casas de jogos, e demais lugares frequentados pela alta roda da Corte (Rev. do Arq. Mun., SP, ano XVI, CXXVI: 76, jul-ago 1949; IN SOARES, 1994, p.173-175)

   Tudo isto, historicamente comprovado por pesquisas de renomados estudiosos, baseado em registros policiais e noticias de jornais dos 1800s, traça um retrato muito diferente do imaginado pela maioria da população e, também, pela maioria dos capoeiristas de hoje.



A Guerra do Paraguai

   Em 1865 o Brasil, junto com a Argentina e o Uruguai, declarou guerra ao Paraguai.
   O exército brasileiro formou seus batalhões e, dentro destes, um imenso número de capoeiras. Muitos foram "recrutados " nas prisões; outros foram agarrados à força nas ruas do Rio e das outras províncias; aos escravos, foi prometida a liberdade no final do conflito.
   Na própria marinha, o ramo mais aristocrático das Forças Armadas, destacou-se a presença dos capoeiras. Não entre a elite do oficialato, mas entre a "ralé" da marujada.

Marcílio Dias (o herói da Batalha do Riachuelo, embarcado no "Parnahyba") era rio-grandense e foi recrutado quando capoeirava à frente de uma banda de música. Sua mãe, uma velhinha alquebrada, rogou que não levassem seu filho; foi embalde, Marcílio partiu para a guerra e morreu legando um exemplo e seu nome. (Correio Paulistano, 17/6/1890)

   Os capoeiras do Batalhão de Zuavos, especialistas em tomar as trincheiras inimigas na base da arma branca, fizeram misérias na Guerra do Paraguai.

Manuel Querino descreve-nos "o brilhante feito d'armas" levado a efeito pelas companhias de "Zuavos Baianos" no assalto ao forte Curuzu, quando os paraguaios foram debandados. Destacam-se dois capoeiras nos combates corpo-a-corpo: o alferes Cezario Alves da Costa - posteriormente condecorado com o hábito da Ordem do Cruzeiro pelo marechal Conde d'Eu -, e o alferes Antonio Francisco de Melo, também tripulante da já citada corveta "Parnahyba" que, entretanto, teve sua promoção retardada devido ao seu comportamento, observado pelo comandante de corpos: "O cadete Melo usava calça fofa, boné ou chapéu à banda pimpão e não dispensava o jeito arrevesado dos entendidos em mandinga". (REIS, L.V.S. Op.cit., 1997, p.55)_

   O 31º de Voluntários da Pátria - policiais da Corte do Rio de Janeiro com grande percentagem de capoeiras - também se destacou na batalha de Itororó: esgotadas as munições,"investiu contra os paraguaios com golpes de sabre e capoeiragem" (COSTA, Nelson in SOARES, op.cit., 1944, p.258).
   Devido a estas ações de bravura e temeridade, começou a surgir dentro do Exército e da Marinha, de maneira velada e não-explícita, o mito que o capoeira seria o "guerreiro brasileiro".
   Cinco anos depois, 1870, os sobreviventes da Guerra do Paraguai voltaram, agora transformados em "heróis", e flanavam soltos pelas ruas do Rio. Muitos engrossaram as fileiras das maltas cariocas e, não raro, pertenciam também à força policial.

 

 

Manduca da Praia

   É também desta época, 1850-1900, um dos maiores mitos da capoeira: Manduca da Praia.
   Eis o que Moraes Filho (1844-1919), que viveu há cerca de cem anos no Rio de Janeiro e conheceu pessoalmente o terribilíssimo Manduca da Praia, contou no seu livro (Festas e Tradições Populares do Brasil, Rio: F.Briguiet e Cia, 1946, 1º ed. 1888):
   Por volta de 1850, Manduca "iniciou sua carreira de rapaz destemido e valentão, agredindo touros bravos sobre os quais saltava, livrando-se". Dotado de enorme força física e "destro como uma sombra", Manduca cursou a escola de horário integral da malandragem e da valentia das ruas do Rio na época de perigosos capoeiras como Mamede, Aleixo Açougueiro, Pedro Cobra, Bem-te-vi e Quebra Coco. Desde cedo destacou-se no uso da navalha e do punhal; no manejo do Petrópolis - um comprido porrete do madeira-de-lei, companheiro inseparável dos valentões da época -; na malícia da banda e da rasteira; e com o soco, a cabeçada e o rabo-de-arraia tinha uma intimidade a toda prova.

Alto e reforçado, usava uma barba crescido e em ponta, grisalha e cor de cobre... nunca dispensava o casaco grosso e comprido, e a grande corrente de ouro de que pendia o relógio... de olhos injetados e grandes, de andar compassado e resoluto, a sua figura tinha alguma coisa que infundia temor e confiança.
("Manduca da praia, violência, poder, dinheiro e valentia". Revista Capoeira nº3. São Paulo, set/out 1993).



As maltas de capoeira

   Dizem que Manduca da Praia não se misturava às maltas, e era "capoeira por conta própria".
   Mas Manduca era uma exceção. No Rio de Janeiro, no final dos 1800s, as maltas dominavam e aterrorizavam a cidade, semelhante às gangues de tóxicos cariocas contemporâneas (esta história das gangues já vem de longe), enfrentando a polícia, fechando o comércio, e intimidando o cidadão "decente e honesto",
   Cada malta dominava uma parte da cidade. A Flor da Gente, da Glória, por exemplo, era célebre por volta de 1872. O patrono político da Flor da Gente era o parlamentar conservador, monarquista, e abolicionista, Luiz Joaquim Duque-Estrada Teixeira; o "Nhô-nhô da Glória" que, além de tudo, era juiz de paz daquela freguesia, e o responsável direto em manter a paz e ordem no local.

   Até a Princesa Isabel, filha do imperador brasileiro D. Pedro II, tinha a sua Guarda Negra: uma malta de capoeiras financiada por José do Patrocínio com verbas secretas da polícia (a mistura de polícia com bandido, que vemos hoje, também é coisa muito antiga).
   Mas estas maltas não estavam isoladas: reuniam-se em dois grandes grupos, os Guaimús e os Nagôas (semelhante ao Comando Vermelho e à Falange, das gangues de drogas cariocas contemporâneas).

 

"Desenhos de Kalixto, 1906"

 

A capoeira marginal, 1890

   Como vimos, a "capoeira escrava" já era marginal muito antes de 1890. Mas somente em 1890 ela vai ser posta oficialmente fora da lei.
   Quando a República foi proclamada, em 1890, a capoeira foi posta fora de lei pois muitas maltas apoiavam os políticos monarquistas. O novo Governo Republicano sabia que enquanto não extinguissem as maltas, não mandariam no Rio de Janeiro; as maltas dominavam as ruas.
   Uma repressão violenta e arbitrária, comandada pelo primeiro chefe de polícia da República - Sampaio Ferraz, o "Cavanhaque de Aço" (ele, também, um capoeira) -, desbaratou a poderosa capoeira carioca.

 

   No entanto esta capoeira carioca das maltas deixou um herdeiro: o malandro. O malandro vai se tornar uma figura importante, não só no samba onde será cantado e decantado no início dos 1900s, mas na própria identidade do Rio de Janeiro e de todo o Brasil.



A hegemonia da capoeira baiana após 1900

   O leitor deve ter reparado que, até agora - 1890 -, só falamos da capoeira carioca. É que quase não temos notícias da capoeira baiana no período de 1800 a 1890; algo que causa surpresa nos capoeiristas que imaginam que a Bahia foi o berço da capoeira.
   Em Salvador, na Bahia, por volta de 1920, a capoeira baiana que não tinha muita visbilidade durante todo os 1800s, já tinha absorvido elementos (africanos) lúdicos de dança, música, jogo, ritual (diferente da capoeira das maltas cariocas, que era somente de luta).

   Com estas características, mais amplas, a capoeira baiana se tornou numa espécie de "arma cultural" utilizada pelos africanos, e seus descendentes, para re-afirmar sua identidade e resistir à sociedade branca dominante e hegemônica (ao lado de outras manifestações, como o candomblé, p.ex.).
   Utilizando esta estratégia, a capoeira baiana (diferente da carioca) sobreviveu à perseguição policial do começo da República e continuou a se desenvolver, na marginalidade, até a década de 1930, quando a prática da capoeira começou a ser permitida.



A capoeira pernambucana

   Enquanto isto, entre 1900 e 1920, no Recife, também temos notícias dos "moleques de banda": os violentos capoeiras pernambucanos, os brabos que saíam à frente das bandas no carnaval, como a banda do Quarto e a Espanha. Onde duas bandas se cruzavam, a violência explodia e o derramamento de sangue era inevitável.
   Entre todos, tornou-se célebre Nascimento Grande, com sua poderosa bengala de mais de 10 quilos, que ele chamava carinhosamente de "a volta".
   Desta capoeira de Recife nasceu o passo, dança típica executada ao som do frevo, que era uma mímica da movimentação e da ginga dos brabos pernambucanos.
   A capoeira pernambucana, semelhante á carioca (e diversa da baiana), também foi extinta pela perseguição policial no início dos 1900s.

"Getúlio Vargas"


 

A capoeira das academias, 1930 em diante

   Na década de 1930, Getúlio Vargas tomou o poder, e o manteve durante os próximos 20 anos.
   Getúlio quis construir uma nova identidade, e uma nova face para o Brasil, baseada na modernidade, na indústria, e no "trabalho duro e sério". O Brasil, na época, ainda tinha uma economia agrícola e de gado; a maioria dos artigos "modernos" e manufaturados eram importados do estrangeiro por um alto preço.

   Vargas comprendeu que a capoeira poderia fazer parte do novo "rosto" deste novo Brasil (de 1930).
   - Mas não a violenta capoeira das maltas cariocas dos 1800s, nem a capoeira dos malandros cariocas do início dos 1900s.
   - A capoeira baiana, da década de 1920, praticada pelo valentão e desordeiro, sempre metido em confusão com a polícia, em bebedeiras na área da prostituição em Salvador, também não servia.
   - Nem tampouco a capoeira dos brabos que saíam à frente das bandas do Recife, no Carnaval.

   Vargas permitiu, então, a prática de uma (nova) capoeira; a ser praticada apenas em "locais fechados" (não mais nas ruas e praças), e com alvará da polícia.
É o começo da "era das academias", que dura até os dias de hoje.

 

"Mestre Bimba (1900-1974), desenho de mestre Bodinho"


"Mestre Pastinha (1889-1981), desenho de Nestor Capoeira"

 


Mestre Bimba e mestre Pastinha, Salvador, 1930-1940

   Mestre Bimba, na década de 1930, com o seu "Centro de Cultura Física Regional" (onde, pela primeira vez, Bimba criou um método de ensino, que é a base do ensino da capoeira até hoje); e, mais tarde, na década de 1940, mestre Pastinha, com seu "Centro Esportivo de Capoeira Angola"; aproveitaram a brecha aberta por Vargas e apresentaram uma "nova" capoeira (na verdade, duas) que poderia ser aceita pela sociedade dominante.

   Quando a capoeira baiana começa a ter visibilidade, e começamos a achar registros dela, a partir aproximadamente de 1900, os valentões, como Pedro Mineiro, dominavam as rodas.
   Em 1936, após uma série de combates no ringue, mestre Bimba sagra-se campeão invicto e torna-se um ídolo em Salvador. É o começo da era dos "educadores" - os mestres Bimba, Pastinha, Noronha, Waldemar, etc. -, que vão substituir e aposentar os "valentões".

   Embora as idéias, e muitos dos valores, de Bimba e Pastinha fossem diferentes, ambos utilizaram o que poderíamos chamar uma "estratégia de sedução" (conforme nos ensinou mestre Muniz Sodré) para conquistar um maior espaço para a capoeira e para o homem negro. Esta "estratégia de sedução", que "seduzia" e atraía a classe média e a burguesia, era muito diferente da "estratégia de violência" utilizada pelas maltas cariocas de 1800.

   Na capoeira regional, de mestre Bimba, tínhamos uma característica mais "esportiva" e "de luta"; e na capoeira angola, de mestre Pastinha, uma característica mais "lúdica" e "ritual" (desculpem-me as simplificações estereotipantes , resultado do pouco espaço disponível, vejam meus livros para um melhor enfoque, ou procure na minha tese de doutorado no final desta página).
   No entanto, além da "sedução", ambas também eram "acadêmicas", em oposição, p.ex., à capoeira "de vadiação" praticada no barracão de mestre Waldemar, aos domingos, no bairro da Liberdade.



A expansão no Brasil e exterior em 1970

   Mas foi a capoeira baiana "acadêmica" que , mais tarde, a partir de 1950 - e já dividida em angola e regional -, emigrou para o Rio e São Paulo, e todo o Brasil.
   E, a partir de 1971, já com um método de ensino mais sofisticado devido ao trabalho de jovens mestres do Rio, São Paulo e Salvador, a capoeira viajou - por iniciativa pessoal de alguns (então) jovens mestres aventureiros - para o exterior (inicialmente Nestor Capoeira, em 1971, na Europa; e Jelon Vieira, em 1975, e Acordeon, em 1978, nos Estados Unidos; e, logo depois, muitos outros).

   Na década de 1980, a capoeira expandiu-se em progressão geométrica, uma verdadeira avalanche que já englobava centros na Europa Ocidental e Estados Unidos.
   Para se ter uma idéia, quando fui (Nestor Capoeira) iniciado por mestre Leopoldina, no Rio, na década de 1960, só existiam, fora da Bahia, uma meia dúzia de centros de capoeiragem no Rio, e outra meia dúzia em São Paulo. Hoje em dias são mais de 1.000 professores atuando em cada uma destas cidades.
   E quando ensinei no London School of Contemporary Dance (Inglaterra), em 1971, não havia mais ninguém dando aulas no estrangeiro. Hoje são mais de 500 professores na Europa, e mais de 500 nos Estados Unidos (onde a North Atlantic Books já vendeu mais de 40.000 dos meus livros de capoeira, em inglês).

"Desenhos de Nestor Capoeira baseado em fotos do Grupo Senzala (Rio de Janeiro, aprox. 1970)"

 

 

   A parte sobre o "histórico" da capoeira, em profundidade, até 1970, encontra-se logo abaixo, na minha (Nestor Capoeira) tese de doutorado. Já a filosofia - incluindo a malícia, o ritual e a música -, ainda não está disponível.
   Entreguei a tese de doutorado, "Jogo Corporal e Comunicultura" (ECO-UFRJ, 2001), e recebi meu título de "Doutor em Comunicação e Cultura" , "com recomendação para publicação"; ralei muito para apresentar um trabalho à altura do que a capoeira merece. Mas, desde então, estou "engrossando" e refinando a tese, com mais citações de teses e livros (especialmente alguns, excelentes, que saíram após 2001); e também com outros enfoques que não eram compatíveis com o lance de uma tese de doutorado.

   Então, nesta nova versão (que ainda sofrerá correções e atualizações até ser publicada), você terá acesso a muitos autores, através de trechos de suas obras.
   Desde Plácido de Abreu (1886) até (já nos 2000s) Frede Abreu, Mathias Rohrig Assunção, e Carlos Eugenio Líbano Soares; passando por Muniz Sodré e os mestres Itapuã, Jair Moura e Acordeon, alunos de mestre Bimba. Sem falar nos manuscritos dos mestres Pastinha e Noronha, e depoimentos dos mestres da Velha Guarda de Salvador, a maioria falecidos.
   Se você se interessar pelos excelentes livros destes autores, e não encontrá-los nas livrarias, procure em "Links", onde encontra-se o e-mail de vários deles (ou de suas editoras), e peça o livro pelo correio.

   Caso você prefira, poderá, também pedir (e comprar) os livros de mestre Nestor no site
   www.record.com.br (clicar em "vidas")
   Aqui vão os livros;
   - O pequeno manual do jogador de capoeira. São Paulo: Ground, 1981. Ed. rev e atual.: Rio de Janeiro, Record, 1998.
   - Galo já cantou. Rio de Janeiro: ArteHoje, 1985. Ed. rev. e atual.: Rio de Janeiro, Record, 1999.
   - Capoeira, os fundamentos da malicia. Rio de Janeiro:Record,1992.
   - A balada de Noivo-da-Vida e Veneno-da-Madrugada. RJ: Record, 1997.

   Como existe muito material disponível na tese de doutorado de mestre Nestor, acho muito difícil você ler tudo de uma tacada só. Por isso, a seguir, vai a lista dos capítulos já prontos. Você pode escolher o que mais lhe interessar e, depois, vá até o fim desta página e clique no capítulo escolhido.

© 2001
1- GLOBALIZAÇÃO

1.1- Histórico da globalização

1.1.1- Mundialização
1.1.2- Da pena de ganso à televisão
1.1.3- A mídia no projeto da globalização
1.1.4- A organização social contemporânea

1.2- Globalização e velocidade; espacialidade e temporalidade; instantaneidade

1.3- Convergência

2- JOGO DE CAPOEIRA

2.1- Histórico

2.1.1- Origens
As origens, as diversas teorias
O desenvolvimento da capoeira
A repressão
2.1.1.1- Outras teorias sobre as origens
2.1.1.2- A luta que se disfarçou em dança
2.1.1.3- O N'Golo seria a capoeira brasileira
2.1.1.4- Nasceu em Palmares
2.1.1.5- Origens: uma nova proposta
2.1.1.6- As narrativas-mestras
2.1.1.7- As "primas" do Atlântico Negro

2.1.2- A capoeira escrava no Rio de Janeiro: 1800 a 1850
Os pesquisadores contemporâneos e a capoeiragem carioca dos 1800-1850
A cidade do Rio de Janeiro em 1800
Os Srs. brancos, a polícia e a capoeiragem
Uma opção política e existencial, diversa das teses "puristas"
1810-1820: O major Vidigal e a Guarda Real
1820-1830: O Arsenal da Marinha
1830-1840: Capoeira e militares; e a chegada dos Malês
1840-1850: O começo das maltas

2.1.3- A marginalidade no Rio e em Salvador: 1850-1900
No século do progresso, o revólver teve ingresso para acabar com a valentia
A capoeira no Rio, Recife e Bahia

2.1.3.1- Rio de Janeiro, 1850-1900
A mistura étnica e social
Os engajados e os fadistas: os portugueses na capoeira
A Guerra do Paraguai, 1865-1870
Manduca da Praia
As maltas e os partidos políticos
1872: A Flor da Gente, uma mudança de estratégia
1880 a 1890: A Guarda Negra
1888: Os Guaimus e os Nagoas
A estrutura interna das maltas e a capoeira contemporânea
As Maltas de 1800 e as Gangues das Drogas de 2000
Plácido de Abreu, escritor, jornalista, utopista, e capoeira
1890: A República; o Código Penal; e Sampaio Ferraz, o "Cavanhaque de Aço"
Juca Reis, o príncipe dos Cordões Elegantes
A herança e a continuidade das maltas de 1800s
Conclusões

2.1.3.2- Salvador, 1850-1900
A pouca visibilidade da capoeira baiana entre 1850-1900
Manuel Querino
Capoeira/cabeçada/mandinga
Os jovens e o "mundo das ruas"
O mato dentro da cidade
A Bahia na Guerra do Paraguai
A capoeira e os militares na Bahia
Conclusões e precipitações

2.1.4- A marginalidade no Rio, Recife e Salvador: 1900 a 1930

A capoeira no Rio, Recife e Bahia
2.1.4.1- Rio de Janeiro: 1900-1930
A Revolta da Vacina
Ciríaco
A Revolta da Chibata
Os intelectuais cariocas
As propostas carioca e baiana
O Malandro
Madame Satã
O carnaval e os cronistas carnavalescos
2.1.4.2- Recife: 1900-1930
2.1.4.3- Bahia: 1900-1930
O uso da denominação "capoeira", na Bahia
Besouro
Os bambas da era de 1922
Mulheres na capoeira
Os valentões, soldados e capangas políticos
Os Educadores
No século do progresso, o revólver teve ingresso pra acabar com a valentia
O início da capoeira de nossos dias

2.1.5- Início da era das academias, 1930-1950, Bimba e Pastinha; a construção dos discursos e das "adolescentes" identidades

O mestiço e a identidade nacional
O mestiço e a "Verdadeira Luta Nacional"
O cenário geral de 1930-1950
A lógica patrimonial
Os autores
A Educação Física
A capoeiragem carioca, de 1930-1950: Sinhozinho
O carnaval e os cronistas carnavalescos
Salvador: o início da era das academias: os mestres Bimba e Pastinha
2.1.5.1- Mestre Bimba e a criação da capoeira regional
O método de ensino
A capoeira regional
O lutador e o ringue
As lutas no Rio e São Paulo
O homem
A espiritualidade
As mulheres
A atuação política
O artista
O mito
2.1.5.2- Mestre Pastinha e a criação da capoeira angola
A academia e o estilo "angola"
O código ético
O filósofo
A espiritualidade
O mito
2.1.5.3- Mestre Valdemar da Liberdade, os berimbaus e o baracão
A "vadiação" algo diferente das academias
Os berimbaus de Waldemar
A iniciação de Waldemar
Uma nova identidade para o capoeirista
2.1.5.4- Mestre Noronha e seus manuscritos: o ABC da Capoeira Angola
O "gope de vista e a destreza"
Uma visão global da capoeira
"A regional é uma criação da capoeira angola"
2.1.5.5- Mestre Canjiquinha, a alegria da capoeira; Mestre Caiçaras, o dono das ruas; e outros
2.1.5.6- "Roda de capoeira", uma jovem com menos de cem anos de idade

2.1.6- Da Bahia para o Rio e São Paulo, 1950-1970

2.1.6.1- Estratégias na luta interna pela hegemonia
2.1.6.2- As décadas de 1950 a 1970
A capoeira de São Paulo e a capoeira do Rio
Os livros
A tradição, do oprimido e do opressor
Salvadoe, de 1950 a 1970
São Paulo, 1950 a 1970
Rio de Janeiro, 1950 a 1970
Artur Emídio
O Grupo Senzala
A nova identidade, e as novas exigências para formar um mestre
Corrupção: a venda de "diplomas de mestre"
O futebol, o chorinho e a umbanda
A tomada de consciência, já quase em 1970

 


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© 2001

1- GLOBALIZAÇÃO (Histórico da globalização) (Globalização e velocidade; espacialidade e temporalidade; instantaneidade) (Convergência)

2- JOGO DE CAPOEIRA